segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A lógica

A lógica (do grego clássico λογική logos, que significa palavra, pensamento, idéia, argumento, relato, razão lógica ou princípio lógico), é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar. A aprendizagem da lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Podemos, então, dizer que a lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam. O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Organon. Ele divide a lógica em formal e material.

Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência que visam representar formalmente o raciocínio válido. Diferentes sistemas de lógica formal foram construídos ao longo do tempo quer no âmbito escrito da Lógica Teórica, quer em aplicações práticas na computação e em Inteligência artificial.

Tradicionalmente, lógica é também a designação para o estudo de sistemas prescritivos de raciocínio, ou seja, sistemas que definem como se "deveria" realmente pensar para não errar, usando a razão, dedutivamente e indutivamente. A forma como as pessoas realmente raciocinam é estudado nas outras áreas, como na psicologia cognitiva.

Como ciência, a lógica define a estrutura de declaração e argumento para elaborar fórmulas através das quais estes podem ser codificados. Implícita no estudo da lógica está a compreensão do que gera um bom argumento e de quais argumentos são falaciosos.

A lógica filosófica lida com descrições formais da linguagem natural. A maior parte dos filósofos assumem que a maior parte do raciocínio "normal" pode ser capturada pela lógica, desde que se seja capaz de encontrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa lógica.

O valor da filosofia

“O valor da filosofia, em grande parte, deve ser buscado na sua mesma incerteza. Quem não tem umas tintas de filosofia é homem que caminha pela vida fora sempre agrilhoado a preconceitos que cresceram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão ponderada. O mundo tende, para tal homem, a tornar-se finito, definido, óbvio; Quando começamos a filosofar, pelo contrário, imediatamente caímos na conta de que até os objectos mais familiares conduzem o espírito a certas perguntas a que incompletissimamente se dá resposta . A filosofia sugere numerosas possibilidades que nos conferem amplidão aos pensamentos, descativando-nos da tirania do hábito. Varre o dogmatismo, um tudo nada arrogante e vivifica o sentimento de admiração. ”

Bertrand Russell

A filosofia e os outros saberes

A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.

A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: «O que é o tempo?» Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: «O que é um número?» Um físico perguntará de que são constituídos os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisas for a das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: «Que faz uma palavra significar qualquer coisas?» Qualquer pessoa pode perguntar se entra num cinema sem pagar se está errado, mas um filósofo perguntará: «O que torna uma acção certa ou errada?»



Nagel, Thomas., Que quer dizer tudo isto?, “Introdução”, pp. 8-9.

As questões da filosofia

A filosofia é uma actividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas.

Que tipo de coisas discutem os filósofos? Muitas vezes examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente «o sentido da vida»: questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não se deve matar. Mas porque razão não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra «deve»? estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não. O estudo da filosofia não só nos ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas – uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas.

Warburton, Nigel, Elementos Básicos de Filosofia.

alguma bibliografia...

Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos-João Branquinho e Desidério Murcho (org).Lisboa. Gradiva, 2001

Dicionário Básico de Filosofia -Hilton Japiassu e Danilo Marcondes.Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editores.

Dicionário Breve de Filosofia-Alberto Antunes, António Estanqueiro e Mário Vidigal.Lisboa.Editorial Presença.2000

Dicionário das Mil Obras de Filosofia-Denis Huisman, Porto.Porto Editora.2001

Dicionário de Obras de Filosofia-Denis Huisman.São Paulo.Martins Fontes.2001

Dicionário de Filósofos-Denis Huisman.São Paulo.Martins Fontes.2001

Dicionário Filosófico (5 Volumes)-M.M.Rosental e P.F.Iudin (Dir.), Lisboa.Editorial Estampa.1972

Dicionário de Filosofia-Jacqueline Russ.Lisboa.Plátano Editora.2000

Dicionário de Filosofia- Sylvain Auroux e Yvonne Weil. Lisboa. Asa. 1993

Dicionário de Filosofia-Simon Blackburn. Lisboa. Gradiva, 1997

Dicionário de Filosofia- Walter Brugger . São Paulo. Editora Herder. 1962

Dicionário de Filosofia (versão abreviada)-José Ferrater Mora.Lisboa Publicações Dom Quixote, 1978

Dicionário de Filosofia -José Ferrater Mora.4 vols. São Paulo. Loyola

Dicionário de Filosofia-Gérard Legrand.Lisboa.Edições 70. 2002

Dicionário de Filosofia-Dagobert D. Runes.Lisboa.Editorial Presença.1990

Dicionário de Filosofia-G.Dorozoi e A.Roussel. Porto. Porto Editora.2000

Dicionário de Filosofia-N.Abbagnano. São Paulo. Editora Meste Jou.1982

Dicionário de Filosofia-N.Abbagnano. São Paulo.Martins Fontes.2000

Dicionário de Filosofia-Mario Bonge.São Paulo.Editora Perspectivas.2001

Dicionário de Filosofia Portuguesa- Pinharanda Gomes.Lisboa.Pub.Dom Quixote.1987

Dicionário das Grandes Filosofias- Lucien Jerphagnon (Dir.).Lisboa.Edições 70

Dicionário do Pensamento Contemporâneo-Manuel Maria Carrilho (Dir.).Lisboa.Publicações D.Quixote.1991

Dicionário Oxford de Filosofia- Simon Blackbum. Rio de Janeiro.Jorge Zahar Editor.

Dicionário Prático de Filosofia-Élisabeth Clément e outros. Lisboa.Terramar, 1997

Dicionário Temático de Filosofia (Larouse)- Julia,Didier. Lisboa. Círculo de Leitores. 1992

Filosofias da Humanidade (As)- Philippe Gaudin, Michel Malberbe.Lisboa. Instituto Jean Piaget.

Logos - Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia (5 Volumes) - João B.Chorão (coord.), Lisboa.Verbo.1992

Nomes e Temas da Filosofia Contemporânea-N.Abbagnano.Lisboa.Pub.Dom Quixote.1990

O meu Dicionário Filosófico -Fernando Salvater. Lisboa.Publicações Dom Quixote, 2000

Polis- Enciclopédia (4 volumes).Lisboa.Verbo

Termos Filosóficos Gregos-Um Léxico Histórico-F.E.Peters, Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian.1974

Vocabulário de Filosofia-Técnico e Crítico (2 Volumes) - André Lalande. Porto.Rés-Editora.

100 Filósofos do Século XX- Stuart Brow, Diane Collinson, Robert Wilkinson. Lisboa. Instituto Jean Piaget.2002

boas pesquisas e leituras.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

dica refente à aula de hoje...

Lógica do Juízo

Definição de Juízo.

Chama-se juízo ao acto do pensamento que consiste na atribuição afirmativa ou negativa de um atributo (Predicado), a um conceito (Sujeito), através de um elemento de ligação (Cópula). O juízo tem assim uma estrutura triádica, fazendo-nos lembrar que a palavra latina ‘pensare ’, que está na origem da nossa palavra ‘pensar’, significa pesar, ou seja, comparar uma coisa com outra (a medida), para daí retirar o conhecimento de um seu atributo (ou característica), neste caso do seu peso. E é interessante vermos que o a estrutura formal do juízo se assemelha à de uma balança:

Sujeito + Cópula + Predicado

‘Alguns homens são europeus’

Definição de juízo categórico: um juízo diz-se categórico, quando a relação entre o sujeito e o predicado é afirmada ou negada sem condições ou restrições.



Classificação dos juízos quanto à quantidade e à qualidade:

Quanto à quantidade os juízos (proposições) podem ser particulares, quando o termo-sujeito é particular, e universais, quando o termo-sujeito é universal. No que diz respeito às inferências, na Lógica Clássica, os juízos com um termo-sujeito singular têm o mesmo valor lógico que os juízos universais, uma vez que os conceitos singulares ocorrem sempre na sua máxima extensão.

Quanto à qualidade, os juízos (proposições) podem ser afirmativos, quando a relação entre o sujeito e o predicado é afirmativa (inclusiva), e negativos, quando a relação entre o sujeito e o predicado é negativa (exclusiva).



Definição d1 - Numa proposição (juízo), um termo diz-se distribuído, quando ocorre na sua máxima extensão (universalmente).

Dado o que ficou estabelecido, existem quatro tipos de juízos categóricos (proposições predicativas categóricas). No quadro seguinte apresentam-se esses quatro tipos de proposição (doravante utilizaremos o termo ‘proposição’ em vez do termo ‘juízo’, já que acima estabelecemos a sua equivalência prática), bem como os símbolos utilizados em Lógica para os denotar. É importante prestar muita atenção ao quadro, uma vez que iremos utilizar os símbolos nele apresentados, para nos referirmos a cada um dos tipos de proposição.



OS DIVERSOS TIPOS DE PROPOSIÇÃO

PROPOSIÇÃO
ESTRUTURA FORMAL

A – Universal Afirmativa
‘Todos os x são y’

I – Particular Afirmativa
‘Alguns x são y’

E - Universal Negativa.
‘Nenhum x é y’

O - Particular Negativa.
‘Alguns x não são y’


Regra Rd1 - Nas proposições universais, o termo-sujeito está sempre distribuído.
Nas proposições negativas, o termo-predicado está sempre distribuído.


De acordo com a Regra Rd1, podemos chegar à conclusão que nas proposições de tipo A, o termo-sujeito está distribuído; nas proposições de tipo O, o termo-predicado está distribuído; nas proposições de tipo E, tanto o termo-sujeito como o termo-predicado estão distribuídos:

DISTRIBUIÇÃO DOS TERMOS

TIPO DE PROPOSIÇÃO A

SUJEITO - distribuído( entenda-se em toda a sua extenção)
PREDICADO - não distribuído( entenda-se que só se verifica parte da sua extenção)

TIPO I

SUJEITO - não distríbuido
PREDICADO - não distríbuido

TIPO E

SUJEITO - distribuído
PREDICADO - distribuído

TIPO O

SUJEITO - não distríbuido
PREDICADO - distribuído




Regra FnP Todos os enunciados utilizados nas inferências da Lógica Clássica devem estar reduzidos à sua Forma Normal ou Padrão. No caso das proposições, a sua Forma Normal compreende os seguintes elementos:

Quantificador+Sujeito+Cópula+Predicado.

O quantificador é o elemento da proposição que nos indica a sua quantidade e ocorre sempre no início da proposição. Eis os quantificadores-padrão que vamos utilizar: Todos; Alguns; Nenhum.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Heraclito




Heráclito (c. 540-480 a.C.), que era de Éfeso, na Ásia Menor, propunha que a matéria básica do Universo seria o fogo. Pensava também que a mudança constante, ou o fluxo, seria a característica mais elementar da Natureza. Pode-se talvez dizer que Heráclito acreditava mais do que Parmênides naquilo que percebia.

"Tudo flui", disse Heraclito. Tudo está em fluxo e movimento constantes, nada permanece. Por conseguinte, "não entramos duas vezes no mesmo rio". Quando entro no rio pela segunda vez, nem eu nem o rio somos os mesmos.
Heráclito assinalou que o mundo se caracterizaria por opostos. Ele acreditava que tanto o bem como o mal teriam um lugar inevitável na ordem das coisas, e que sem essa constante interação de opostos o mundo deixaria de existir.
"Deus é dia e noite, inverno e verão, guerra e paz, fome e saciedade", disse Heráclito. Ele usou a palavra 'Deus', mas evidentemente não se referia aos deuses da mitologia grega. Para Heráclito, Deus - ou a Deidade - seria algo que incluísse o mundo inteiro.

Em lugar da palavra "Deus", Heráclito usava com freqüência a palavra grega logos, que significa razão. Embora não pensemos sempre da mesma forma, ou tenhamos o mesmo grau de razão, Heráclito estava convencido de que deveria haver uma espécie de "razão universal", ou "lei universal", guiando tudo o que ocorre na Natureza.

Trata-se de algo pelo qual todos os seres humanos são guiados - e, no entanto, Heráclito pensava, a grande maioria das pessoas vive segundo a razão individual. De modo geral, ele desprezava o próximo. "As opiniões da maioria", disse ele, "são como brinquedos para as crianças."
Assim, no centro de todo esse fluxo constante e essa interação de opostos, Heráclito divisou uma Entidade, ou unidade. Esse "algo", que seria a origem de todas as coisas, ele chamou de Deus, ou logos.

Parménides




"O Ser é, o não-ser não é; e: o que é não pode não-ser"
A força com que Parmênides expõe aos ouvintes as suas doutrinas fundamentais não deriva de uma convicção dogmática, mas da vitória da necessidade do pensamento. O conhecimento é também uma absoluta ananke para Parmênides, que ainda o denomina dike ou morra, evidentemente por influência de Anaximandro. É o mais alto fim a que a investigação humana pode aspirar. Mas quando diz que Dike mantém o ser fixo nos seus limites, sem qualquer possibilidade de dissolução. De tal modo que já não pode nascer nem perecer, vê-se que a sua Dike tem uma função contrária à de Anaximandro, a qual se manifesta na geração e corrupção das coisas. A Dike de Parmênides, que separa o ser de toda a geração e corrupção e o faz permanecer imóvel em si mesmo, é a necessidade implícita no conceito do Ser, interpretada como "aspiração do Ser à justiça". Nas frases insistentemente repetidas "o Ser é, o não-ser não é; e: o que é não pode não-ser", Parmênides exprime a necessidade do pensamento da qual deriva a impossibilidade de realizar no conhecimento a contradição lógica.

Esta força daquilo que se adquiriu no puro pensamento é a grande descoberta que domina toda a filosofia eleática. Determina a forma polémica dentro da qual o seu pensamento se desenvolve. O que nas suas proposições fundamentais aparece como a descoberta de uma lei lógica é para ele um conhecimento objectivo, cujo conteúdo o coloca em conflito com toda a anterior filosofia da natureza. Se é certo que o Ser nunca não é e o não-Ser nunca é, torna-se evidente para Parmênides que o devir é impossível. A aparência, porém, revela-nos algo de diferente. Os filósofos naturalistas, que nela confiam cegamente, sustentam que o Ser vem do não-Ser e no não-Ser se dissolve. No fundo, é a opinião de todos nós. Confiamos nos olhos e nos ouvidos em vez de perguntarmos ao pensamento, o único que pode guiar-nos à certeza infalível. O pensamento é a vista e o ouvido espiritual do Homem.

Aqueles que não o seguem são como cegos e surdos, e emaranham-se em contradições sem saída. Não têm outro remédio senão admitir que o Ser e o não-Ser são e não são o mesmo, ao mesmo tempo. Se derivarmos o Ser do não-Ser, admitimos que a sua origem é incognoscível. Ao verdadeiro conhecimento deve corresponder um objecto. Assim, se de facto buscamos a verdade, temos de nos afastar da geração e corrupção, que levam a proposições impensáveis, e nos ater ao puro Ser, que no pensamento nos é dado. O pensamento e o Ser são uma e a mesma coisa.

Empédocles




Visto na antiguidade como profeta e mago, Empédocles também foi político, orador e poeta. Diz a lenda que encerrou a sua brilhante carreira atirando-se na cratera do vulcão Etna, para dar aos seguidores uma demonstração convincente de divindade.

Empédocles nasceu em Agrigento, Sicília, então parte da Magna Grécia, por volta de 490 a.C. Continuador da tradição dos jônicos, desenvolveu uma interpretação do universo em que todos os fenómenos da natureza eram entendidos como resultado da mistura de quatro elementos: água, fogo, ar e terra. Esses princípios, também chamados "raízes", seriam eternamente subsistentes, jamais engendrados, e de sua união ou separação nasceriam e pereceriam todas as coisas. Os quatro elementos se uniriam sob a força do amor e se separariam sob o influxo do ódio. Os mananciais e os vulcões seriam provas da existência de água e fogo no interior da Terra.

Segundo Empédocles, no poema Katharmoi (As purificações), a intervenção do ódio está na origem de todas as coisas e dos seres individuais, que se vão diversificando até a separação total e o domínio absoluto do mal. Entretanto, o princípio do amor voltará a triunfar, unificando e misturando tudo até a configuração de uma só coisa, Sphairos, a esfera perfeita, na qual o mundo presente tem princípio e fim. No mundo actual há seres individuais e, portanto, ódio e injustiça, o que exige um processo de purificação que só terminará quando o amor triunfar. Mas esse triunfo é ainda relativo: a evolução dos mundos é um processo no qual se manifesta um domínio alternado do amor e do ódio, do bem e do mal. Apesar da lenda, supõe-se que a morte de Empédocles tenha ocorrido no Peloponeso, Grécia, por volta de 430 a.C.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tales de Mileto





Nenhum escrito de Tales sobrevive, nem há fontes contemporâneas a seu respeito. As realizações que lhe são atribuídas baseiam-se em referências tardias ou em lendas mantidas pela tradição. Segundo Heródoto, Tales foi um estadista de visão que advogou a federação das cidades jônicas da região do Egeu. Segundo Aristóteles, foi ele o primeiro a afirmar que a água era a substância fundamental do universo e de toda a matéria.

Considerado o primeiro filósofo grego, Tales nasceu por volta de 625 a.C. em Mileto, onde teria, como um dos sete sábios, fundando a escola que conserva o nome de sua cidade natal. Já se pretendeu ver, na escola de Mileto, quer dizer, em Tales, Anaximandro e Anaxímenes, a expressão mais autêntica do espírito jônico, ao qual se oporiam os eleatas, representantes do espírito dórico. A nova concepção de mundo dos milésios denominou-se logos, palavra grega que significa razão, palavra ou discurso. As características do logos, que o contrapõem ao pensamento mítico, são a imanência (oposta à transcendência), o naturalismo e o abandono do antropomorfismo. Esboçou-se assim a primeira tentativa de explicar racionalmente o universo, sem recorrer a entidades sobrenaturais.

Os filósofos da escola de Mileto eram homens de saber prático, acostumados a viajar, dedicados à política e ao trabalho intelectual. A partir de factos particulares, conceituaram a realidade como um todo organizado e animado. Diante da multiplicidade e da mutabilidade das aparências, buscavam um princípio unificador imutável, ao qual chamaram arké - origem, substrato e causa de todas as coisas. Em geometria, atribui-se a Tales a invenção de cinco teoremas. Diz-se também que ele usou os seus conhecimentos geométricos para medir as pirâmides egípcias e para calcular a distância entre navios no mar e a costa. Referências como essas, ainda que às vezes possam não corresponder à verdade, ilustram, todavia a reputação que o cercava.

Tales teria sido um precursor do pensamento científico ao substituir a explicação mítica da origem do universo pela explicação física de sua cosmologia baseada na água. Para ele, a água era o princípio formador da matéria porque o que é quente precisa da humidade para viver, o morto se resseca, todos os germes são húmidos e os alimentos estão cheios de seiva.
É natural que as coisas se nutram daquilo de que provêm. A água é o princípio da natureza húmida, que entretém todas as coisas, e a terra repousa sobre a água.

As combinações se fazem pela mistura e pela mudança dos elementos, e o mundo é um só. A esfera do céu está dividida em cinco círculos, ou zonas: ártica, trópico de verão, equador, trópico de inverno e antártica. Primeiro astrónomo a explicar o eclipse do Sol, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro, Tales de Mileto, segundo o historiador grego Diógenes Laércio, morreu com 78 anos durante a 58ª Olimpíada (548-545 a.C.).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Filosofia - o que é isto?

A lógica


Definição e Evolução da Lógica


Não há consenso quanto à definição da lógica. Alguns autores definem-na como o estudo do processos válidos e gerais pelos quais atingimos a verdade, outros como a ciência das leis do pensamento, ou somente como o estudo dos princípios da inferência válida. Esta pluralidade de definições dá-nos conta da diversidade de estudos que são abrangidos pela Lógica.

A lógica foi criada por Aristóteles, no século IV a.C., como uma ciência autónoma que se dedica ao estudo dos actos do pensamento - Conceito, Juízo, Raciocínio, Demonstração- do ponto de vista da sua estrutura ou forma lógica, sem ter em conta qualquer conteúdo material. É por esta razão que esta lógica aristotélica se designa também por lógica formal.

Em contraposição a este conceito de lógica formal, surgiu um outro - o de lógica material - para designar o estudo do raciocínio no que ele depende quanto ao seu conteúdo ou matéria.

Esta distinção entre lógica formal e lógica material permite-nos agora perceber porque:

Tendo em conta a sua forma, o raciocínio é correcto ou incorrecto ( válido ou invalido). Mas se atendermos à sua matéria, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa.

Exemplo:

Nenhum homem sabe dançar
Este dançarino é homem
logo,
Este dançarino não sabe dançar

Este raciocínio é formalmente correcto, uma vez que a conclusão está correctamente deduzida. Mas a conclusão é falsa, uma vez que é falsa a primeira proposição("Nenhum homem sabe dançar"). Estamos perante um raciocínio que tem validade formal, mas não tem validade material. Logo temos que concluir que é falso.

Desde a sua criação a lógica tem registado enormes aperfeiçoamentos, sobretudo, a partir de meados do século XIX . É costume dividir-se a sua história em três períodos: Período Clássico, Período Moderno e Período Contemporâneo.

- Período Clássico ( Séc.IV a.C) até ao século XIX). A lógica formal aristótelica domina por completo este período. A lógica exprime-se numa linguagem natural. Dava uma enorme importância ao estudo dos raciocínios dedutivos, isto é, aqueles onde passamos do geral para o particular, do conhecido para o desconhecido. Os estudos de lógica davam grande ênfase à analise de enunciados que continham exactamente dois termos, dos quais se extraia uma dada conclusão. A lógica foi vista até ao século XVI como o principal instrumento do conhecimento científico: a) Os filósofos haviam estabelecido um conjunto de princípios, de natureza metafísica, que eram considerados não apenas verdadeiros, mas também como a explicação para tudo o que existia. Tudo havia sido deles derivado; b) Com base nestes princípios, os cientistas raciocinando de uma forma dedutiva, procuravam explicar todas as coisas que existiam e ocorriam. c) A lógica procurava definir as leis do pensamento que nos permitiam chegar à Verdade.

- Período Moderno (Século XIX a princípios do século XX). Tomando a matemática como modelo, lógicos como George Boole, Frege ou Bertrand Russell construíram uma linguagem artificial -simbólica para a expressão do conteúdo do pensamento lógico. O raciocínio é visto como cálculo matemático. Esta lógica é denomina lógica matemática ou simbólica.

- Período Contemporâneo (Século XX ). Assiste-se neste período à expansão e diversificação da lógica matemática, o que se traduz no aparecimento de novos ramos no estudo da lógica, tais como:

- Lógica Combinatória (estuda certos processos ralacionados com variáveis),

- Lógica Modal ( estuda as conexões entre os enunciados tendo em conta a sua modalidade);

- Lógica Polivalente (estuda os calculos que contemplam mais de dois valores (verdadeiro ou falso) para o mesmo enunciado.

- Lógica Deontica (estuda os enunciados normativos sob o ponto de vista lógico)

A lógica matemática veio exercer uma influência decisiva em muitos domínios Tais como:Electrónica, Cibernética, Informática, Neurofisiologia, Linguística, Inteligência Artificial...

domingo, 28 de setembro de 2008

um fio condutor...


FILOSOFIA
- A Incansável Busca Pela Sabedoria -


A palavra Filosofia deriva do grego "PHILOSOPHIA"

SOPHIA significa SABEDORIA

PHILO significa "Amor Filial", ou Amizade

Literalmente, um Filósofo é um AMIGO, ou AMANTE de SOPHIA, alguém que admira e busca a SABEDORIA

Esse termo foi usado pela primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas apenas alguém que amava a Sabedoria.

Filosofia é então a busca pelo conhecimento último e primordial, a Sabedoria Total.

Embora de um modo ou de outro o Ser Humano sempre tenha exercido seus dons filosóficos, a Filosofia Ocidental como um campo de conhecimento coeso e estabelecido, surge na Grécia Antiga com a figura de TALES de MILETO, que foi o primeiro a buscar uma explicação para os fenômenos da natureza usando a Razão e não os Mitos, como era de costume.

Assim como a Religião, ela também já teve sua morte decretada. No entanto a Filosofia Ocidental perdura há mais de 2.500 anos, tendo sido a Mãe de quase todas as Ciências. Psicologia, Antropologia, História, Física, Astronomia e praticamente qualquer outra derivam directa ou indirectamente da Filosofia. Entretando as "filhas" ciências, ocupam-se de objectos de estudo específicos, e a "Mãe" ocupa-se do "Todo", da totalidade do real.

Nada escapa à investigação filosófica. A amplitude de seu objecto de estudo é tão vasta, que foge à compreensão de muitas pessoas, que chegam a pensar ser a Filosofia uma actividade inútil. Além disso, o seu significado também é muito distorcido no conhecimento popular, em que muitas vezes a reduz a qualquer conjunto simplório de idéias específicas, as "filosofias de vida", ou basicamente a um exercício poético.

Entretanto como sendo praticamente o ponto de partida de todo o conhecimento humano organizado, a Filosofia estudou tudo o que pode, estimulando e produzindo os mais vastos campos do saber, mas sendo diferente da Ciência, a Filosofia não é empírica, ou seja, não faz Experiências. Mesmo por que geralmente os seus objectos de estudo não são acessíveis ao Empirismo.

A RAZÃO e a INTUIÇÃO são as principais ferramentas da Filosofia, que tem como fundamento a contemplação, o deslumbramento pela realidade, a vontade de conhecer, e tendo como método primordial a rigorosidade do raciocínio, para atingir a estruturação do pensamento e a organização do saber.

Academicamente, a Filosofia é dividida em:

ANTIGA

- do século VIaC até VIdC -

Foi a era dos pré-socráticos, os filósofos da natureza, os Atomistas, os sofistas, de Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino e etc. Esses filósofos simplesmente construíram toda a estrutura de nosso conhecimento. Tudo o que temos hoje deve-se ao progresso promovido pelos gregos antigos, ainda que a maior parte dele tenha permanecido adormecido por mil anos. O Universo foi a principal preocupação nesta época.

MEDIEVAL

- do século IIdC até XVdC -

A era da Filosofia Cristã, da Teologia Revelada, da tradição escolástica. A preocupação principal dos filósofos era Deus. Alguns deles foram canonizados, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Surge a Navalha de Guilherme de Occam, que mais tarde viria a ser a ferramenta básica da Ciência.

MODERNA

- do século XVIIaC até XIXdC -

Surge juntamente com o Renascimento o despertar científico, que recupera a sabedoria da Grécia Antiga. O Racionalismo Cartesiano, o Empirismo, o retorno do Cepticismo e muitos outros movimentos deram impulso à Ciência. Descartes imortalizou o "Penso Logo Existo" como um ponto de partida para a construção de um conhecimento seguro. Mais tarde Karl Marx lança as bases do Socialismo, e Adam Smith estrutura o Capitalismo. O enfoque de aí em diante centrou-se no Ser Humano e as suas possibilidades.

CONTEMPORÂNEA

- do XIXdC até... -

Os novos desafios no mundo actual surgem sob a forma da Emancipação Feminina, o rompimento definitivo dos Governos com as Igrejas Cristãs, o Existencialismo, o ênfase na Linguística, e mais recentemente o Estruturalismo e o Desconstrutivismo de Derrida. Alguns nomes já se imortalizaram, como Sartre, Simone de Beauvoir ou Michael Foucalt.

descobre quem são!!


OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

(do livro "O mundo de sofia" de Jostein Gaarder.)

Os primeiros filósofos gregos são frequentemente chamados de “filósofos da natureza”, porque se interessavam sobretudo pela natureza e pelos processos naturais.

Já tivemos oportunidade de nos perguntar de onde vêm todas as coisas. Hoje em dia muitas pessoas acreditam, umas mais, outras menos, que em algum momento tudo surgiu do nada. Este pensamento não era muito difundido entre os gregos. Por alguma razão, eles sempre partiam do facto de que sempre existiu “alguma coisa”.

A grande questão, portanto, não era saber como tudo surgiu do nada. O que instigava os gregos era saber como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como a terra sem vida, se podia transformar em árvores frondosas ou em flores multicoloridas. Tudo isto sem falar em como um bebé podia sair do corpo da sua mãe!

Os filósofos viam com seus próprios olhos que havia constantes transformações na natureza. Mas como estas transformações eram possíveis? Como é que uma substância podia transformar-se em algo completamente diferente, numa forma de vida, por exemplo?

Os primeiros filósofos tinham uma coisa em comum: eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas essas transformações. Não é muito fácil explicar como eles chegaram a esta idéia. Sabemos apenas que ela se desenvolveu a partir da noção de que deveria haver uma substância básica, que fosse a causa oculta, por assim dizer, de todas as transformações da natureza.

Para nós, o mais interessante não é saber que respostas esses primeiros filósofos encontraram. O interessante é saber que perguntas eles fizeram e que tipo de resposta buscavam. Mais importante para nós é saber como, e não o que eles pensavam exatamente.

Sabemos que eles colocavam questões referentes às transformações que podiam observar na natureza, na tentativa de descobrir algumas leis naturais que fossem eternas. Eles queriam entender os fenómenos naturais, sem ter que para isto recorrer aos mitos. Interessava-lhes, sobretudo, tentar entender por si mesmos os processos naturais, por meio da observação da natureza. E isto era algo completamente diferente da tentativa de explicar raios e trovões, inverno e primavera por referência a acontecimentos no mundo dos deuses.

E assim a filosofia libertou-se da mitologia. Podemos dizer que os filósofos da natureza deram os primeiros passos na direcção de uma forma científica de pensar. E com isto, deram o pontapé inicial para todas as ciências naturais, surgidas posteriormente.

A maior parte de tudo o que os filósofos da natureza disseram e escreveram ficou perdida para a posteridade. E a maior parte do pouco que sabemos está nos escritos de Aristóteles, que viveu duzentos anos depois dos primeiros filósofos. Mas Aristóteles apenas sintetiza os resultados a que tinham chegado os filósofos que viveram antes dele. Isto significa que nem sempre é possível sabermos como eles chegaram às suas conclusões. O que sabemos, porém, é suficiente para podermos afirmar que o projecto dos primeiros filósofos gregos englobava questões relacionadas à substância básica por detrás das transformações ocorridas na natureza.